Buena
Vista, Mangueira!!
Uma viagem ao mundo dos sonhos. Parece um pouco com os imaginativos
títulos de enredo carnavalesco. Mas não é. Durante o mês de julho
de 200, doze integrantes da velha guarda da Mangueira, a grande
maioria deles pela primeira vez, partiu em viagem por algumas
cidades européias para apresentar sua arte.Amsterdã, Paris, Berlim,
Londres, Honaver e Wiessen (Áustria) faziam parte do roteiro.
O dia-a-dia da viagem, as andanças, os shows, as surpresas, os
desencontros e o deslumbramento das duas partes (brasileiros e
europeus) foram devidamente registrados em vídeo-digital por uma
equipe da produtora carioca Giros, comandada pelo documentarista
Belisario Franca, e que teve em Thomas Jatahy (câmera e produção)
e Márcia Derraik (direção) seus representantes na Europa. O resultado
do trabalho será transformado num documentário - a principio batizado
de velha guarda no velho mundo - que traz, aqui e ali, referências
ao comovente Buena Vista Social Club, o filme do alemão Wim Wenders
sobre os velhos músicos cubanos. O elo mais evidente entre os
dois filmes está na figura de compay segundo, o mais idolatrado
dos cubanos, que recepciona a velha guarda durante um show em
wiessen. Diziam que compay não daria entrevistas, que estaria
mal-humorado e que seria impossível a aproximação. Ou quase impossível.
" Contei para a produtora que o pessoal da velha guarda tinha
assistido e adorado o Buena Vista. Foi o suficiente. O resultado
foi que compay dedicou o show ao Brasil e convocou os sambistas
para cantarem 'Guantanamera' com ele no palco", conta Thomas,
36 anos, ao confessar que, até então, não se interessava muito
por samba, Hermano Vianna, para se ambientar. No total foram 35
horas de gravação que, por enquanto, aguardam recursos para a
finalização. No mês que vem deverá estar pronta uma fita promocional
para atrair investidores. Há ainda a idéia de mostrar o material
para os viajantes e gravar as reações. Márcia Derraik, 29 anos,
que por muitas vezes acumulou as funções de diretoria e intérprete
da trupe, lembra-se de tudo como uma grande diversão. "Assistia
a tudo com um misto deslumbramento e orgulho. Os shows eram emocionantes,
mas a convivência diária foi o que mais me marcou". Segundo ela,
a viagem combinou momentos de bom humor e da mais pura elegância.
"Ver Tia Zélia requebrando as cadeiras e contagiando as mulheres
alemãs é u registro inesquecível", conta Márcia, que se prepara
para finalizar Onde a coruja dorme, um curta sobre a obra de Bezerra
da Silva. "Nunca fui muito de samba, mas agora estou virando doutora
no assunto", ri.
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