Giros

 Danças Brasileiras
   João Cabral Concreto
 America latina é representada      pela Giros na produção de      "Novos Heróis"
 Antares desvenda bastidores de      seis companhias de dança
 Buena Vista, Mangueira!
 Produtora carioca investe no patrimônio audiovisual
 Aventura dentro e fora da nave
 Giros comanda missão espacial       juvenil na Nasa
  A estrela quer subir
 GNT Fashion de cara nova
 Tv tipo exportação
 A floresta do ponto de vista das
     crianças
 Caravela premiada
 Patrimônio Cultural
 Palavras vivas

 

Revista Veredas , 02 de Fevereiro de 2001



           Buena Vista, Mangueira!!

Uma viagem ao mundo dos sonhos. Parece um pouco com os imaginativos títulos de enredo carnavalesco. Mas não é. Durante o mês de julho de 200, doze integrantes da velha guarda da Mangueira, a grande maioria deles pela primeira vez, partiu em viagem por algumas cidades européias para apresentar sua arte.Amsterdã, Paris, Berlim, Londres, Honaver e Wiessen (Áustria) faziam parte do roteiro. O dia-a-dia da viagem, as andanças, os shows, as surpresas, os desencontros e o deslumbramento das duas partes (brasileiros e europeus) foram devidamente registrados em vídeo-digital por uma equipe da produtora carioca Giros, comandada pelo documentarista Belisario Franca, e que teve em Thomas Jatahy (câmera e produção) e Márcia Derraik (direção) seus representantes na Europa. O resultado do trabalho será transformado num documentário - a principio batizado de velha guarda no velho mundo - que traz, aqui e ali, referências ao comovente Buena Vista Social Club, o filme do alemão Wim Wenders sobre os velhos músicos cubanos. O elo mais evidente entre os dois filmes está na figura de compay segundo, o mais idolatrado dos cubanos, que recepciona a velha guarda durante um show em wiessen. Diziam que compay não daria entrevistas, que estaria mal-humorado e que seria impossível a aproximação. Ou quase impossível. " Contei para a produtora que o pessoal da velha guarda tinha assistido e adorado o Buena Vista. Foi o suficiente. O resultado foi que compay dedicou o show ao Brasil e convocou os sambistas para cantarem 'Guantanamera' com ele no palco", conta Thomas, 36 anos, ao confessar que, até então, não se interessava muito por samba, Hermano Vianna, para se ambientar. No total foram 35 horas de gravação que, por enquanto, aguardam recursos para a finalização. No mês que vem deverá estar pronta uma fita promocional para atrair investidores. Há ainda a idéia de mostrar o material para os viajantes e gravar as reações. Márcia Derraik, 29 anos, que por muitas vezes acumulou as funções de diretoria e intérprete da trupe, lembra-se de tudo como uma grande diversão. "Assistia a tudo com um misto deslumbramento e orgulho. Os shows eram emocionantes, mas a convivência diária foi o que mais me marcou". Segundo ela, a viagem combinou momentos de bom humor e da mais pura elegância. "Ver Tia Zélia requebrando as cadeiras e contagiando as mulheres alemãs é u registro inesquecível", conta Márcia, que se prepara para finalizar Onde a coruja dorme, um curta sobre a obra de Bezerra da Silva. "Nunca fui muito de samba, mas agora estou virando doutora no assunto", ri.