Giros

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   João Cabral Concreto
 America latina é representada      pela Giros na produção de      "Novos Heróis"
 Antares desvenda bastidores de      seis companhias de dança
 Buena Vista, Mangueira!
 Produtora carioca investe no patrimônio audiovisual
 Aventura dentro e fora da nave
 Giros comanda missão espacial       juvenil na Nasa
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 GNT Fashion de cara nova
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 A floresta do ponto de vista das
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 Patrimônio Cultural
 Palavras vivas

 

Valor Econômico , 24 de janeiro de 2001



        Produtora Carioca Investe no                Patrimônio audiovisual

Foram cinco visitas, seis horas de entrevista, todas às 17 horas em ponto, para um documentário de exatos 60 minutos. Um vídeo sobre João Cabral de Melo Neto só poderia ser feito assim, com extremo rigor e precisão. "Recife/Sevilha", um dos projetos que a produtora Giros pretende lançar neste ano, vai ser rodado graças ao apoio do BNDES. "Se a gente chegasse cinco minutos depois ou antes, ele não nos recebia", lembra o produtor executivo da Giros, Luiz Antonio Silveira. " Então nós chegávamos antes, esperávamos na calçada e só batíamos na porta deles às 17 horas." Silveira e o diretor Belisario Franca, donos da Giros, gravaram os depoimentos de João Cabral poucos meses antes de o poeta morrer, em 99. Faltava todo o resto: filmar as cidades que permeiam a obra do autor, Recife e Servilha, usando como roteiro o depoimento do próprio. Fazer um documentário sobre a poesia cabralina é, para os donos da produtora, um grande prazer e um bom negócio. Há três anos no mercado, a produtora vem se desvencilhando do tradicional meio de se conseguir verba para filmagem - leis de incentivo, intermináveis buscas por patrocínio, etc.- para montar um patrimônio audiovisual e daí extrair sua própria verba. Eles explicam: "Montar um banco de imagens e ser detentor dos direitos, além de estar sempre rendendo dinheiro na hora de cede-las, barateia os custos para uma produção futura da Giros." Para ilustrar essa estratégia mercadológica, eles usam o exemplo de "Recife/Servilha". "Eu vou para Servilha fazer esse documentário e se um dia der na telha fazer um documentário sobre turismo na Espanha, já tenho as imagens da cidade", explica Belisario. Reconhecida por trabalhos como "Música do Brasil", feito para MTV, e por programas veiculados no canal Futura, como "Afinando a Língua", apresentado por Tony Belloto, a Giros já vem sendo procurada por seu ainda pequeno, mas precioso, banco de imagens. "Outro dia veio um Alemão em busca de imagens sobre a música brasileira para um documentário", conta Belisario. Um ponto a favor da política da Giros é o crescimento de novas tecnologias de mídia. Silveira e Belisario apostam suas fichas - e suas imagens - no que ainda está por vir. Além de veicular seus programas em Tv aberta e fechada, pretendem espalhar seus vídeos pela internet. "São produtos caros, por isso a gente precisa ter essa oferta de canais", explica o produtor executivo. A proposta da Giros, desde o começo, foi produzir para Tv. Nada de fazer cinema, curtas e outras "produções de risco" que dependam de bilheteria. Para cada idéia, um negócio fechado com uma emissora. Projetos que surgem dentro da equipe da Giros, como "Recife/Servilha", são levadas adiante por terem grande aceitação entre vários canais. "Acho que aquele papo de 'uma idéia na cabeça e uma câmera na mão' já era", diz Silveira. "Todo trabalho que a gente faz tem uma superpesquisa por trás e pode render subprodutos." Da mesma forma que elaboram projetos e vendem para televisão, a Giros também aceita encomendas ("desde que sejam programas de conteúdo", avisam os donos). Recentemente, a produtora fez uma programa para o Discovery Kids, o "Blast Off: Missão Astronauta", ainda no ar. O trabalho rendeu uma perceria com o canal americano e a Giros já estuda um novo programa envolvendo crianças de todo o mundo sobre a escassez da água no planeta. Funcionando em pequeno apartamento no bairro do Catete, no Rio, a produtora conta com uma equipe fixa de 11 pessoas e com agregados, conforme a produção. É uma outra forma de baratear os custos. "A gente percebeu que não é preciso uma estruturainchada de cem profissionais fixos", explica Belisario. "Você tem até liberadde de escolher as pessoas certas para cada produção." Apesar de poderem contar com a receita gerada por eles mesmos em futuro não muito distantes, os "executivos do audiovisual" procuram, para o presente, a parceria com alguma grande empresa. "Acho que a coisa está caminhando para este tipo de parceiros", diz Belisario. Quando a Europa Ficou Verde e Rosa A voz do morro atravessou o Atlântico e coloriu a Europa. Sabendo que a velha guarda da Mangueira faria uma excursão pela Europa, a Giros foi atrás. Essa foi uma filmagem de "risco", segundo Silveira, por ter sido feita sem patrocínio e sem acordo anterior. Mas o "on the road" com a Velha Guarda tem grandes chances de ser bem acolhido no mercado. Entre os cinco projetos que a giros vai lançar este ano, "A velha Guarda no velho mundo" talvez seja um dos mais interessantes. Imagine um grupo de velhinhos, sem falar uma palavra em inglês ou Francês, passeando pelas ruas de Paris e Londres. Alguém lembrou de "buena Vista Social Club"?: Pois a idéia é mais ou menos essa. Para isso, a equipe de filmagem acompanhou cada passo da viagem. O documentário começa no Rio, com os integrantes arrumando as malas. "teve até um bota-fora para eles", conta Silveira. Já na Europa, a equipe da Giros acabou funcionando também como intérprete e guia da velha guarda, criando uma cumplicidade entre eles. "Eles estavam sem a estrutura de uma turnê, com pouco dinheiro. Chegaram a passar o chapéu para ganhar algum trocado", conta Silveira. Para ilustrar o contraste entre os sambistas e o velho mundo, filmaram os músicos em lugares óbvios da Europa, como o Rio Sena, na França. Entre uma apresentação e um passeio, depoimentos dos veteranos do samba. "Eles falam de tudo, de sexo à vida no morro." Outro documentário que a Giros lança ainda este ano é uma biografia de Pixinguinha. Procurados pela família do músico, a Giros deve começar a filmar em abril, quando um neto de Pixinquinha lança seu show em que apresenta músicas do avô, mas com novos arranjos. Os outros vídeos são "Antares", encomendado por uma empresa que traz companhias de dança para o Brasil. E dá-lhe a equipe de filmagem seguindo os passos de flamenco e Sara Baras, uma das atrações retratadas no vídeo. Por fim, em "O Mito e o Espelho", a Giros dá continuidade ao premiado "O Povo Verdadeiro", encomendado por Xavantes. Neste, eles dão a voz aos índios de outras tribos brasileiras.