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O
Globo, Revista da TV, 26 de março de 2000
A
floresta do ponto de
vista das crianças
Particularmente
desde que urna onda ecológica varreu o planeta, a Amazônia
tem sido filmada por todos os ângulos e com os mais diferentes
objetivos. Mas até que o Discovery Networks desenvolvesse
Ecoaventura: Amazônia, em parceria com a produtora
Giros, não se tinha registro de uma expedição
feita por crianças. E justamente este o charme da série
que será exibida pelo Discovey Kids (Net/TVA) a partir de
sexta-feira, às 21h.
Queremos que as crianças conheçam a Amazônia
por meio do olhar de jovens como eles diz o diretor Belisário
Franca.
Os
programas, que fazem parte das comemorações do Discovery
Networks pelos 500 anos do Brasil, são protagonizados
por cinco meninos e meninas de entre 10 e 15 anos. Para escolher
as que passariam 29 dias embrenhadas na mata, foram feitos testes
com mais de 300 candidatos do Rio e de São Paulo. O grupo
viveu aventuras como tomar banho num rio cheio de piranhas, aprender
a fazer uma canoa, pernoitar na selva, tirar leite de peixe-boi
e conviver com índios.
Para garantir a espontaneidade, o diretor orientava as crianças
a agirem com naturalidade.
A equipe sabia o que encontraria em cada passeio; as crianças
é que não sabiam diz Belisário.
Não queríamos atores em cena: selecionamos jovens
com diferentes personalidades para obter reações
variadas.
O mais interessante é que as crianças foram desenvolvendo
relações entre elas, com a fauna e a flora locais
e com os cientistas que estudam a mata completa o produtor
executivo Luís Antônio Silveira. Isso imprimiu
um tom realista à série.
Cada
um dos cinco episódios é centrado numa aventura da
turma, sempre temperada com pitadas de educação ambiental.
O momento mais emocionante do primeiro programa traz as crianças
participando da focagem de jacarés, uma espécie de
safári visual. As edições seguintes mostram
o grupo em contato com os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa
da Amazônia (Inpa), um tour por Manaus e as viagens a Barcelos,
para ter contato com a população ribeirinha, e a Parintins,
onde há a Festa do Boi-bumbá.
Railane
Gomes, de 12 anos, diz que a viagem foi inesquecível.
Fiquei impressionada com a Festa da Tucandeira, em, que
os índios põem a mão dentro de uma luva cheia
de formigas venenosas para ficar imunizados contra várias
doenças e mostrar coragem conta.
Bruno Bezerra, de 11 anos, o narrador dos programas, lembra que
viu até traficantes de madeira.
Amadureci muito. Até então eu quase não
havia tido contato com a natureza. Só não gostei
de ver que os índios estão abandonando seus costumes
e que há traficantes agindo no chamado pulmão do
mundo.
LILIAN FERNANDES
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