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Abazei'õréhã Rówasu'u/ História da anta

"Esta é a história da criação da primeira anta. Do tempo em que ainda não existiam animais.

A mãe chama o filho ai'repudu para irem juntos coletar uzu, o fruto do buriti. Saem os dois pelo cerrado, procurando buriti para pegar os frutos. Eles andam, andam e o ai'repuduvê uma palmeira muito bonita:

- Mãe, olhe como é bonita a folha daquela palmeira. O broto novo, tão avermelhado... Eu quero pegar aquela folha...

- Por que você quer aquela folha? O que você vai fazer com ela?

Os dois voltam tarde para casa, sem trazer os frutos.

No dia seguinte, mãe e filho saem de novo para pegar frutos de buriti. Passa o tempo, muito tempo no cerrado e voltam tarde para casa, com os cestos vazios.

Outro dia, a mesma coisa. Saem os dois para buscar uzu.

E no dia seguinte... E no dia seguinte... Saem sempre para coletar frutos e voltam de cestos vazios.

O marido fica preocupado... Pede então para o filho mais novo ir atrás dos dois ver o que estava acontecendo.

Nesse tempo, ainda não existiam os animais. O povo A'uwê podia se transformar em animais. Bastava o desejo. Tinham muito poder...

O menino se transforma em arãrãre, porque o beija-flor voa muito rápido. Arãrãre é silencioso. Pode ficar pairando sobre as flores.

Ele sai, procurando a mãe e o irmão, voando por entre as árvores do cerrado. Voando, voando, voando até se aproximar de onde estão.

O beija-flor fica pairando entre as flores, discretamente. E vê a mãe e o irmão, deitados sobre as folhas, fazendo sexo.

O menino voa rápido de volta para casa e conta para o pai... O pai ouve. Fica chocado! Fica enfurecido:

-- Ah! Eu pensei que eles saíam de casa para pegar frutos de buriti... Ah! Então é isso que eles estão fazendo!!!

O marido prepara varas de buriti. Vai bater nos dois quando chegarem. Ele acaba de preparar as varas, esconde na esteira, do seu lado, e fica esperando..."

Quando os dois chegam em casa...>>

Do livro Wamrêmé Za'ra, Nossa Palavra - Mito e História do Povo Xavante, publicado pela editora SENAC

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