Abazei'õréhã
Rówasu'u/ História da anta
(Segunda parte)
"Quando
os dois chegam na casa, nem sabem que foram descobertos. O
homem pega primeiro pelo braço do filho e começa
a bater nele com a vara, com muita raiva. Bate, bate... bate
muito, até a vara gastar toda e ficar só um
toco.
A
mulher grita então com o marido:
-
Por que você está batendo nele? Se você
está com raiva, bata em mim. Eu é que sou mais
velha do que ele.
O
ai'repudu cai no chão, chorando. Soluçando,
até perder o fôlego.
O
marido, depois de bater muito no filho, pega no braço
da mulher e bate nela também com a vara. Bate, bate,
muito. Até a vara gastar toda e ficar só um
toco.
A
mãe e o filho se deitam num canto da casa, encolhidos,
soluçando, quase sem forças. Esperam passar
a tarde e vir a noite. Esperam até que todos
estejam dormindo. Quando já está muito escuro,
eles saem, sem fazer barulho, sem ninguém ver.
Saem
da casa e andam em direção ao cerrado. Entrando
na escuridão da mata, seus corpos já começam
a se transformar. Os pêlos, as patas, a cabeça...
Vão se transformando em uhödö e, como
as antas, correm fazendo muito barulho. E entram rasgando
a mata, arrastando tudo que há pela frente.
Pela
manhã, as mulheres da aldeia saem para coletar frutos
de buriti. Vão para o cerrado com os cestos para pegar
uzue voltam com os cestos vazios. Os homens perguntam
então por que elas haviam voltado sem trazer os frutos
e elas reclamam:
--
Não tinha mais uzu. Não tinha mais nada.
Uhödö comeu tudo. As antas não deixaram
nada.
Toda
manhã a história se repete. As mulheres saem
para coletar uzu e não encontram os frutos... E reclamam:
--
Não tinha mais uzu. Não tinha mais nada.
Uhödö comeu tudo. As antas estão comendo
tudo!
Então,
os caçadores se preparam para procurar as antas que
estão perto.
O
marido já sabia o que estava acontecendo. Prepara flechas
especiais para a caçada... Quando acaba de preparar
muitas flechas, ele se pinta também e sai. Vai atrás
das antas."
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