Abazei'õréhã
Rówasu'u/ História da anta
(Final)
"Havia
muitas pegadas pelo chão, muitos rastros. Ele vai seguindo
os rastros e começa a assobiar, chamando a anta:
--
Sfiu, sfiu, sfiu...
A
anta responde ao assobio. Pensa que é o macho chamando
e vem correndo...
O
marido fica escondido, esperando... Prepara o arco e:
--
Tummmm!
Dá
uma flechada na fêmea. Ela cai:
--
Ôhr, ôhr, ôhr...
O
macho se aproxima e o homem dá outra flechada:
--
Tummmm!
O
macho, quando leva a flechada, grita! Um grito humano:
--Asai!
E
cai morto. As duas antas estavam caídas, mortas.
A
fêmea já estava completamente transformada em
anta. Tinha o corpo todo coberto de pêlos. O macho ainda
não estava todo transformado, por isso seu grito foi
um grito humano.
O
marido então dá o aviso de que havia matado
as antas:
-Ahhhh!
Ahhhh! Ahhhh!
Esse
foi o primeiro grito de aviso de que o caçador matou
a anta.
E
os outros caçadores responderam:
-
Köe! Köe, Köe, Köe.
Quando
os caçadores chegaram, se reuniram para tirar as partes
das antas, fazendo a divisão. O marido pega a carne
da caça e leva para casa.
O
filho mais novo comendo a carne da caça, pergunta para
o pai:
-
Meu pai, que carne é essa?
O
pai responde, muito bravo:
E
a carne de anta, é a carne da sua mãe.
É
por isso que a anta, quando tem cria fêmea, alimenta
o filhote só até uma certa idade e abandona
a cria. Quando a cria é um macho, a mãe fica
vivendo junto com o filho.
Essa
é a história da criação da primeira
anta."
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Do livro Wamrêmé Za'ra, Nossa Palavra - Mito
e História do Povo Xavante, publicado pela editora
SENAC
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