Poesia
Brasileira
João
Cabral - A poesia brasileira foi sempre preponderantemente
lírica. Mesmo um poeta pouco lírico como o Carlos
Drummond de Andrade, tem momentos de lirismo. Murilo Mendes
era um lírico; Jorge de Lima era um lírico;
Mario de Andrade era um lírico; Manuel Bandeira era
um lírico; Vinicius de Morais era um lírico;
Cecília Meirelles era uma lírica. O Drummond
era o menos lírico, mas mesmo assim tem momentos de
lirismo. Por isso a influência maior que eu tive foi
o Carlos Drummond de Andrade. Na literatura brasileira ele
foi meu grande mestre. Aquela poesia prosaica, direta, compreende.
Só que ele de vez em quando caía na prosa discursiva.
Eu nunca caí no discursivo.
Entrevistador
- Mas o sr. não acha que mesmo fazendo uma poesia anti-lírica,
sua obra tem lirismo?
João
Cabral - Você pode dizer o que você quiser...
Música
& Arquitetura
João
Cabral - Eu ouço bem. Mas não presto muita
atenção ao que ouço. Só presto
atenção lendo, olhando. Por isso a pintura e
a arquitetura tiveram uma grande influência sobre mim,
e a música não teve. O Caetano Veloso tem um
samba dizendo que o samba dele é influenciado por um
poeta que detesta música, e um músico que detesta
poesia. O poeta sou eu...
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